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Carnaval

Figurantes no Baile de Máscaras do Grupo de Amigos do Chinicatoem Fev.2004 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

O riso nasceu com a humanidade, e o Carnaval constituiu ao longo da História uma das expressões máximas desse riso que as convenções sociais amordaçavam durante trezentos e tal dias do ano para o permitirem nesses escassos dias de folia.
As tradições carnavalescas são um misto de paganismo e de religiosidade pois por um lado estão directamente relacionadas com a preparação para a Quaresma, tendo o seu auge nos três dias anteriores à quarta-feira de Cinzas. É possível que a palavra Carnaval derive de carne vale “adeus carne!” ou decarnis levamen, "prazer da carne", antes das abstinências e prescrições que marcam a Quaresma; ou ainda derivar de currus navalis, “carro naval”, referente aos carros alegóricos em forma de barco, usados tanto na Grécia como em Roma. Por outro lado o Carnaval também foi fortemente influenciado pelos ritos pagãos ligados a celebrações da Natureza, sobretudo do recomeço da vida purificada pela Primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas. A origem da festa em si é desconhecida. Talvez tenha origem no culto de Ísis, ou nas festas em honra de Dionísio (Grécia antiga), ou nas bacanais, lupercais e saturnais, licenciosas festividades romanas que, tal como as de Dionísio, recorriam ao uso de máscaras.
O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. As cidades de Paris e Veneza foram os grandes modelos exportadores da festa carnavalesca para todo o mundo. As pessoas mascaravam-se, pregavam partidas, gozavam com as outras pois estando disfarçadas podiam fazê-lo sem serem reconhecidas. O baile de carnaval, baile de fantasia ou de máscaras, assenta no grande trunfo do mascarado que lhe garante completo anonimato. Em muitos casos, até é difícil dizer se é homem ou mulher. Quem sabe se, por detrás de uma máscara que cruzamos na rua não está uma personalidade pública famosa ou um nosso vizinho?

Os Bailes de Carnaval constituem uma das muitas tradições que resistem ao passar dos anos e à alteração dos costumes. Em alguns locais do concelho e para muitos munícipes o Carnaval continua a ser vivido e comemorado ao jeito de outros tempos, quando a “mascarinha” era condição obrigatória para se ter acesso aos Bailes que se realizavam nas diversas sociedades recreativas. Hoje em dia, mantém-se o gosto e o interesse pela animação dos Bailes do Carnaval, que algumas colectividades e instituições do concelho teimam em não deixar desaparecer.

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