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Carnaval

Corso carnavalesco em Odiáxere, Fev 2008 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

O riso nasceu com a humanidade, e o Carnaval constituiu ao longo da História uma das expressões máximas desse riso que as convenções sociais amordaçavam durante trezentos e tal dias do ano para o permitirem nesses escassos dias de folia.
As tradições carnavalescas são um misto de paganismo e de religiosidade pois por um lado estão directamente relacionadas com a preparação para a Quaresma, tendo o seu auge nos três dias anteriores à quarta-feira de Cinzas. É possível que a palavra Carnaval derive de carne vale “adeus carne!” ou decarnis levamen, "prazer da carne", antes das abstinências e prescrições que marcam a Quaresma; ou ainda derivar de currus navalis, “carro naval”, referente aos carros alegóricos em forma de barco, usados tanto na Grécia como em Roma. Por outro lado o Carnaval também foi fortemente influenciado pelos ritos pagãos ligados a celebrações da Natureza, sobretudo do recomeço da vida purificada pela Primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas. A origem da festa em si é desconhecida. Talvez tenha origem no culto de Ísis, ou nas festas em honra de Dionísio (Grécia antiga), ou nas bacanais, lupercais e saturnais, licenciosas festividades romanas que, tal como as de Dionísio, recorriam ao uso de máscaras.
O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. As cidades de Paris e Veneza foram os grandes modelos exportadores da festa carnavalesca para todo o mundo. As pessoas mascaravam-se, pregavam partidas, gozavam com as outras pois estando disfarçadas podiam fazê-lo sem serem reconhecidas. O baile de carnaval, baile de fantasia ou de máscaras, assenta no grande trunfo do mascarado que lhe garante completo anonimato. Em muitos casos, até é difícil dizer se é homem ou mulher. Quem sabe se, por detrás de uma máscara que cruzamos na rua não está uma personalidade pública famosa ou um nosso vizinho?

Uma das modernas celebrações do Carnaval ganha forma e expansão através do corso. Os corsos carnavalescos nas pequenas cidades e vilas de Portugal conferem ao Carnaval um cariz diferente pois a execução dos carros alegóricos e a formação dos grupos de foliões é operada pelas colectividades locais num envolvimento salutar dos populares. Este facto contribui para uma renovação permanente dos temas e das abordagens visíveis em cada edição do corso, dando conta da inesgotável imaginação e criatividade do povo – mas onde sempre aparecerá um carro em forma de barco, sátira bem ajustada a um país de marinheiros que já não constrói um único navio; ou uma carantonha de político que resuma as medidas da fazenda pública que leva a pele do povo depois de já ter lhe levado a camisa. As danças, cegadas, paródias, serração da velha, bailes, corsos de carros alegóricos têm, nalguns locais, como corolário, o Enterro do Entrudo que decorre na Quarta-feira de Cinzas.
Tradição que ocorre um pouco por todo o país, a celebração do Carnaval já conheceu, entre nós, uma dinâmica mais intensa com a realização do corso na Avenida dos Descobrimentos, magnífica moldura dessa manifestação da folia carnavalesca. Entre os anos 90 e o final da primeira década do novo século, foram os corsos infantis que animaram a Avenida com centenas de crianças em desfile colorido. Actualmente, os corsos realizam-se na Vila de Odiáxere e na povoação do Chinicato, devolvendo às origens do meio rural ou da aldeia essa popular festa carnavalesca.

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