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Travessa dos Tanoeiros

Travessa dos Tanoeiros, Abr. 2010 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos.
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O tanoeiro é um fabricante de tonéis, pipas, barris, e demais vasilhas em madeira para armazenar e transportar líquidos com especial incidência no vinho. O sustentáculo desta actividade artesanal ficou a dever-se, justamente, ao desenvolvimento da cultura vinícola e do seu comércio.
Inicialmente a madeira mais utilizada era a de carvalho – ainda hoje considerada a mais segura e de melhor conservação –, no entanto também se usou a madeira de mogno, acácia e eucalipto.
As principais operações do trabalho do tanoeiro incidem no corte dos toros de madeira transformando-os em réguas, as aduelas. Depois, estas são secas a fim de extrair o tanino que possuem. Seguidamente, são desbastadas (desengrossadas) para corrigir desníveis e, simultaneamente, ovalizadas. Na tupia acertam-se as faces laterais e chega-se então à fase de montagem do recipiente (p. ex. barril), momento em que as aduelas são moldadas ao fogo e se fixam com aros metálicos. Segue-se a arrunhagem ou acerto final das aduelas, a abertura do rasgo onde encaixará o fundo do barril, o enchimento dos intervalos, a colocação dos restantes arcos devidamente chanfrados para obtenção da curvatura adequada e, finalmente, o barril é parafinado, escaldado, e polido.
Da existência de tanoeiros em Lagos resta a memória evocada em topónimos como a Travessa dos Tanoeiros, que tem início na Rua 25 de Abril e término na Rua Soeiro da Costa (antiga Rua dos Tanoeiros). Como os nomes indicam, nestas artérias se situavam oficinas dedicadas ao mister. Durante a dinastia Filipina (1580-1640) os tanoeiros constituíram um numeroso grupo de artesãos ocupados no fabrico das barricas para exportação do atum e conservação de vinho, azeite e azeitona. E esta realidade ter-se-á repetido noutros períodos da história local, como certificam, por exemplo, as pautas alfandegárias que registam a exportação de 500 aduelas de barril e 285 feixes de arcos de pipa, em 1836. Exportação que contribuiu para o rendimento de Lagos, nesse ano em que a cidade contava 6.700 habitantes. O valor do trabalho de tanoaria variava de acordo com a diversidade das peças, a categoria do artífice que as executava (mestre, oficial ou aprendiz), e o eventual fornecimento da madeira pelo comprador.
Actualmente, a profissão de tanoeiro está quase extinta, julgando-se que não existirão mais de uma dezena destes artesãos no país. O declínio da tanoaria ficou a dever-se ao surgimento e enorme difusão das vasilhas metálicas, posteriormente substituídas, em grande medida, pelo plástico. Hoje, grande parte do trabalho dos últimos tanoeiros recai nos arranjos e na manutenção de recipientes existentes em adegas privadas que persistem na superioridade da qualidade da madeira em relação aos novos materiais. Como complemento dessa actividade, alguns destes artífices dedicam-se a criar peças que são comercializados em feiras e lojas de artesanato, vendidas como produtos regionais e curiosidades de cariz etnográfico. Ironicamente, após dezenas de anos de supremacia do aço inox, alguns vinicultores regressam aos recipientes de madeira, embora produzidos de forma mais mecanizada, numa abordagem industrial que dispensa a figura do tanoeiro tradicional não dispensado, porém, o seu saber acumulado ao longo de gerações.
Recipientes fabricados pelos tanoeiros, e suas capacidades mais comuns: Barril (de 1 a 100 litros); Barrica (acima de 200 litros); Pipa (de 500 ou de 600/650 litros – mais usada para transporte); Meia Pipa (300 litros); Cartola (de 200, 250, 300 e 350 litros); Casco (de 750 litros); Tonel (acima de 1.000 litros).

[Adaptação do texto publicado, sob o mesmo título, em Maio de 2010 na Agenda de Eventos “5entidos” da CMLagos.]

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