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campanário e relógio

Relógio da torre da Igreja de St. António, Jul.2005 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Um dos primeiros contadores de tempo foi o relógio de sol que utilizava a luz diurna (3.000 a.C.). Claro que é necessário que não haja nebulosidade e obviamente não funciona durante a noite. Por isso foram criadas outras formas de medir o tempo. Entre elas a clepsidra ou relógio de água (1.500 a.C.); a ampulheta (250 d.C.); a vela e outros dispositivos que recorrem ao fogo e que, ao arder a uma velocidade mais ou menos constante, torna possível conhecer os intervalos de tempo (Idade Média).
Existem muitas referências a relógios no século XIII atestando que tenham sido inventados neste período instrumentos de medição do tempo. No século XIV os relógios já apresentavam alguns dos mecanismos básicos que hoje conhecemos. Os relógios de mola surgem no século XVI, mas o que permitiu uma maior precisão foi a descoberta do isosincronismo do pêndulo (Galileu – 1582), e a sua aplicação aos relógios. Começa assim a utilização do mecanismo oscilatório, que permitiu um grande avanço na criação de relógios.
Verificamos que o homem necessitou de cerca de 2500 anos para construir um relógio que funcionasse com precisão. Todavia, em pouco mais de 300 anos, deu um passo gigantesco construindo dispositivos de elevada precisão: dos que recebem corda pela variação da temperatura; aos microscópicos relógios de anéis e de pulso, eléctricos a quartzo; incluindo os que se movimentam pela energia acumulada, recebendo luz de uma fotocélula. Libertada do engenho artesanal, a relojoaria actual já não é principalmente mecânica assistindo-se a uma evolução permanente assente na electrónica digital.
Em Lagos, e até inícios dos anos 80 do século XX, podíamos admirar o trabalho de uma oficina de relojoaria mecânica, de Raúl Raimundo Rodrigues, sita na Rua Cândido dos Reis. As relojoarias de Sebastião Silva e do senhor Horta, também localizadas na baixa da cidade, eram outras dessas “oficinas do tempo”, reparando as caixinhas mágicas que controlam a vida das pessoas e o pulsar da cidade. Numa pequena bancada, no meio de uma miscelânea de rodas dentadas, molas, ponteiros, freios, e outras minudências da micro-mecânica, o mestre relojoeiro conserta o tempo parado dentro das minuciosas engrenagens. Ali, assistia-se ao fascinante exercício de repor o tempo em marcha.
O relógio da torre da Igreja de Santo António, hoje desactivado, possuía algumas particularidades que atestam a sua elevada qualidade em matéria de mecânica de relojoaria sendo considerado o dispositivo mais preciso da cidade, no seu tipo. Batia as horas por duas vezes; uns dois minutos antes, e na hora certa. E reproduzia, na sua relação simbiótica com os sinos, uma tonalidade própria no bater dos quartos, distinta do toque das horas.

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