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cocheira dos Comboios

Cocheiras da Estação com parte da ponte rotativa para inversão das locomotivas, em Mar. 2004 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos.

Após muitas vicissitudes, o comboio chegou finalmente a Lagos no dia 30 de Julho de 1922. Dessas vicissitudes nos fala José Carlos Vasques, venerável concidadão a quem a comunidade lacobrigense muito deve no âmbito da manutenção e da recuperação da sua memória colectiva. Nascido dois anos antes da chegada do comboio a Lagos, dele transcrevemos elucidativas palavras sobre a história da ferrovia em Lagos: «Já desde 1912 que o farmacêutico Ribeiro Lopes, Presidente da Câmara, lançara o imposto ad valorem de 1%, sobre as mercadorias exportadas do concelho, justamente para constituir o fundo de garantia sobre o empréstimo da Caixa Geral de Depósitos para concretização do tão almejado projecto ferroviário. Trata-se de um dos gritantes casos da política nacional, em que uma edilidade se substitui à administração central para implantar o caminho-de-ferro. O tal empréstimo só foi extinto em 1960. O traçado final da linha pela Meia Praia, segundo se supõe, foi uma alteração ao plano inicial. A estação esteve inicialmente prevista para o Rossio de S. João, atendendo à continuação do caminho-de-ferro com destino a Sagres. O Estado não quis suportar qualquer verba, deixando esse ónus à Câmara Municipal. Dado tratar-se de uma estação terminal verificaram-se outras obras para além da estação e da via: teve que se proceder a um aterro para criação das infra-estruturas e, para isso, foram deslocados milhares de metros cúbicos de areia provenientes das dunas da meia praia; o recinto de manobras do material circulante; casa para os ferroviários; e a necessária rotunda para mudar o sentido do material circulante (mais tarde é que a CP instalaria a placa giratória, ainda existente no barracão isolado). Todas estas estruturas foram edificadas sobre o sapal, com consequentes custos de aterro e terraplanagem.»

Antes da instalação da ponte giratória existiu um enorme círculo de carris que permitia a manobra de virar a locomotiva no sentido inverso, pois que Lagos é fim de linha. Imperativos técnicos de manutenção do material circulante, a dificuldade da manobra e a própria natureza do terreno arenoso, bem como a necessidade de redução do espaço ocupado, terão ditado a sua substituição por uma ponte giratória, tal como podemos ver hoje junto às cocheiras (garagem de locomotivas e carruagens).

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